Um ano de Alemanha ūüéČ


Vira e mexe algu√©m me faz as perguntas cl√°ssicas sobre como √© morar na Alemanha, como est√° sendo a experi√™ncia de trabalhar fora do Brasil e como conseguir um emprego fora. Vou tentar sintetizar nesse aqui as principais perguntas (e respostas). Nesse tweet, algumas pessoas enviaram suas d√ļvidas. Obrigada pela ajuda!

Vamos l√°?


Antes de começar eu preciso falar algo bem importante: cada pessoa tem uma motivação e uma experiência diferente fora do Brasil. E tudo isso depende das experiências anteriores de cada um. Parece meio óbvio mas é importante mesmo entender que o olhar sobre as coisas define como será a experiência. Por isso é importante ouvir várias pessoas e vir com a mente aberta sabendo que, ainda assim, a sua experiência será diferente.

Dito isso, um pouco de contexto sobre mim. Eu sou do interior da Bahia, Feira de Santana, onde fiz curso t√©cnico em Inform√°tica e trabalhei por alguns anos com teste de software. Durante esse tempo, fiz minha gradua√ß√£o numa cidade vizinha, Alagoinhas, em An√°lise de Sistemas. Fiz o mestrado em Ci√™ncia da Computa√ß√£o em Belo Horizonte, onde morei e trabalhei como desenvolvedora nos √ļltimos quatro anos antes de me mudar para Alemanha. Como muitas pessoas, eu sempre tive vontade de ter uma experi√™ncia de trabalho fora do Brasil e os motivos eram v√°rios: ter uma experi√™ncia cultural diferente, melhorar o ingl√™s, aprender coisas novas.

Nesse texto vou falar sobre a minha experiência morando na Alemanha. Vou falar sobre entrevistas, sites e dicas para processos seletivos em um texto separado, já que esse aqui ficou grande demais.


Placa de Bem vindo a Berlim do aeroporto

First things first, a pergunta que todo mundo faz por aqui: porque você resolveu se mudar para a Alemanha?

Olha, se algu√©m me dissesse que no futuro eu estaria morando na Alemanha eu com certeza diria que essa pessoa fumou or√©gano demais. :) Conhecendo um pouco o passado da Alemanha e tendo em mente o estere√≥tipo que todo mundo tem (o que n√£o significa que n√£o seja real…) seria um dos lugares que eu n√£o moraria. Entretanto, o Mateus, meu esposo, veio a trabalho para c√° uns anos atr√°s e ficou encantado com Berlim. O que mais chamou a aten√ß√£o dele foi o senso de comunidade e o fato de Berlim ser um dos polos de startups da Europa. “Senso de comunidade” nesse caso se traduz em como a sociedade pensa de maneira coletiva. Por exemplo: se voc√™ n√£o quer mais alguma coisa, voc√™ deixa na porta e algu√©m que precisa ir√° pegar; existem grupos de Facebook para doar, trocar ou vender; e por a√≠ vai. A rela√ß√£o que as pessoas tem com o coletivo √© diferente. Embora sejam frios no dia a dia, existe uma vontade em fazer o que √© melhor para todos.

Eu acabei sendo contagiada pela empolgação do Mateus com Berlim e me juntei a eles nos esforços em mudar pra cá.

Como vocês vieram parar na Alemanha?

Nos nossos planos só migraríamos nos anos à frente mas fatores alheios a nossa vontade (risos) nos fizeram antecipar esse sonho (e não, não foi o Temer). Mas resumindo: eu acabei aceitando uma proposta para trabalhar remoto para uma empresa de NY e o Mateus começou a fazer processos seletivo com empresas de Berlim.

O processo entre come√ßar as entrevistas e fechar uma proposta levou aproximadamente 3 meses e mais 3 meses para resolver as burocracias envolvidas. Se voc√™ √© solteira(o) talvez leve menos tempo na parte das burocracias. No nosso caso, resolvemos casar (dei o golpe do passaporte nele, aparentemente) e casar toma tempo demais, credo. Casando eu pude vir com o visto de reuni√£o familiar, o visto para esposos(as) e filhos. Eu n√£o vou entrar em detalhes ou responder perguntas sobre vistos, certo? Infelizmente √© muita informa√ß√£o e o processo nem sempre √© est√°vel, o que me p√Ķe no risco de informar errado.

Burocracias que enfrentamos antes de vir:

  • Cancelar o contrato do apartamento, pintar e entregar
  • Vender TUDO
  • Casar - o que envolveu uma log√≠stica interestadual para ter a minha certid√£o de nascimento por duas vezes porqu√™ na primeira veio com o nome do meu pai errado (ūüôĄ)
  • O processo de visto em si (que deu bastante trabalho pro Mateus por conta do visto dele ser um visto de trabalho)

As burocracias enfrentadas no Brasil e no consulado da Alemanha eram s√≥ um aperitivo das burocracias daqui. A Alemanha, embora seja um pa√≠s de primeiro mundo e bem progressista, est√° 20 anos atr√°s em transforma√ß√£o digital. Existe muita burocracia e as coisas funcionam de maneira diferente. Quer um exemplo? Para poder usar meu plano de sa√ļde, recebi 3 cartas diferentes, cada uma com uma senha. S√≥ com o conte√ļdo das tr√™s cartas combinados eu pude acessar o site do plano. No in√≠cio ent√£o, cartas e mais cartas do governo, todas em alem√£o, claro. Eu acredito que no Brasil estamos numa situa√ß√£o melhor nesse aspecto. Por conta dessas e outras os nossos tr√™s primeiros meses foram horr√≠veis.

O que é que eu estou fazendo aqui?

Bem, eu me fiz a mesma pergunta quando me mudei para Belo Horizonte 5 anos atrás. Mas lá pelo menos tinha Sol, né? :)

In√≠cios s√£o complicados. Ainda mais depois de se estressar tanto com todas as burocracias no Brasil. Ao chegar aqui precisar√≠amos fazer o famoso anmeldung, o registro que diz que voc√™ mora na Alemanha. Sem ele voc√™ n√£o √© ningu√©m. Para fazer ele voc√™ precisa de uma conta banc√°ria. Para ter uma conta banc√°ria voc√™ precisa de um endere√ßo. Para alugar um apartamento voc√™ precisa do… anmeldung. No nosso caso, conseguimos fazer uma conta no N26 pelo Brasil mesmo (esse banco √© tipo um Nubank) e por isso conseguimos fazer o cadastro no governo. √Č obrigat√≥rio fazer esse cadastro no primeiro m√™s. Por√©m quando voc√™ entra no site para agendar s√≥ tem data tr√™s meses a frente. Fant√°stico, n√£o √©? Enfim, conseguimos.

Por endereço provisório tivemos um hotel onde ficamos por uma semana e um apartamento mobiliado que alugamos por 3 semanas. Tínhamos apenas as 3 semanas no apartamento mobiliado para encontrar um lugar pra morar em Berlim. Achar um lugar pra morar em Berlim é um inferno. Os corretores abrem os apartamentos para visitas e todos os interessados visitam ao mesmo tempo. Eu fui em visitas com quase 15 pessoas! Sem falar que nem todo mundo fala em inglês e nós não falávamos alemão, o que nos deixou em desvantagem. Quando contamos para as pessoas que achamos um apartamento em um mês todo mundo fica boquiaberto. Enfim, se você está considerando se mudar para Berlim não faça o que nós fizemos. Busque com antecedência!

Como mencionei antes, eu estava trabalhando remoto. Quando mudei pra c√°, estava a 6 horas de diferen√ßa de New York. Era Outubro. Estava frio pra bosta. Eu n√£o tinha as roupas adequadas e os dias eram extremamente cinzas. Escurecia cedo e amanhecia tarde. Dica importante: evite se mudar pra c√° no Outono ou no Inverno. Venham no ver√£o. Berlim √© um amor no ver√£o. No ver√£o as √°rvores t√™m folhas, tem flores nos jardins, as pessoas ficam bem humoradas e ficam aos montes nos parques. No frio, ningu√©m fica do lado de fora. As pessoas est√£o mais ranzinzas que o normal. O cen√°rio da cidade lembra Silent Hill. √Č melanc√≥lico e frio. Pior combina√ß√£o.

Nesse clima de estresse, frio e melancolia, percebi que eu estava ficando deprimida. Ent√£o resolvi que a melhor coisa pra mim seria procurar um emprego em Berlim e ter uma rotina de ir ao trabalho, ver as pessoas, sair de casa. Sinceramente, foi a melhor decis√£o naquele momento. Um m√™s depois, fechei com a Thermondo, onde trabalho feliz desde Dezembro. ūüėć Sobre os processos e entrevistas eu vou contar no pr√≥ximo post.

Eu sinceramente achei que não iria durar um ano aqui. Foram muitas mudanças de uma vez só e eu achei Berlim feia. A diversidade que o Mateus falava eu não conseguia enxergar. Pra mim era que nem no Brasil só que com mais asiáticos por perto?? Foi meio frustrante. Eu tinha pintado algo diferente na minha cabeça.

Mas com o tempo e alguma paciência eu pude ver o outro lado. Ainda bem que o verão chegou.

O clima

Imagem de um lago em Berlim durante o ver√£o

Falando em verão, acho que vale a pena comentar um pouco sobre o clima. Eu sou Nordestina e amo um Sol. Você fica suado e tal mas é uma delícia andar de havaianas e shortinho por aí. Morando na Alemanha, isso vai ser possível por uns 4 meses no ano. E olhe lá.

Durante o ver√£o Berlim fica encantada. Eu cheguei no Outono ent√£o s√≥ peguei as √°rvores com folhas caindo ou amareladas. Durante o ver√£o deu pra perceber que Berlim √© mesmo a cidade mais arborizada da Europa e que todo mundo tinha raz√£o quando dizia que Berlim √© outra nessa esta√ß√£o. As pessoas ficam mais felizes, saem mais juntas, tomam banho de Sol nos parques (frequentemente peladas e ningu√©m liga), fazem quest√£o de sentar nas mesas que ficam nas cal√ßadas. Falando em Sol, o Sol nasce antes das 6 e se p√Ķe depois das 21 horas no ver√£o. Berlim n√£o tem mar mas tem bar muitos lagos e parques. N√£o √© uma praia mas d√° pra se divertir durante o ver√£o tamb√©m. Ahhh o ver√£o…

O inverno tamb√©m tem sua beleza, apesar de eu detestar. :) Durante o m√™s de Dezembro acontecem os mercados de Natal. Muita comida, artesanato e glue vine, uma esp√©cie de quent√£o ou vinho fervido. hehe Mas faz frio. Muito frio. O qu√£o frio? Maior parte do tempo, durante o inverno, pegamos temperaturas entre - 5 e 5 graus. Quando fazia 10 graus era show, Rogerinho. Ao contr√°rio do que falam sobre Dublin e Londres, aqui n√£o chove tanto, o que √© muito bom. N√£o √© t√£o frequente mas neva em Berlim de vez em quando. Eu vi nevar pela primeira vez aqui. √Č bem fofinho (apesar da bagun√ßa que as ruas ficam quando o gelo derrete). No inverno o Sol pode nascer depois das 8 horas e se p√īr por volta das 16 horas. Ou seja: escuro quando voc√™ entra e sai do trabalho. Aqui eu descobri que a depress√£o de inverno √© real. Os dias s√£o cinzas, as √°rvores ficam sem folhas, as pessoas est√£o mais rabugentas que nunca e faz frio pra bosta.

Rapadura é doce mas não é mole.

Berlim e o que eu mais gosto aqui

Eu n√£o posso falar sobre a Alemanha de maneira geral ent√£o vou tentar resumir em Berlim.

Muita gente que diz que Berlim n√£o √© Alemanha e as raz√Ķes para isso s√£o diversas. Dizem que √© por conta da sua hist√≥ria √ļnica: nenhuma outra cidade foi dividida ao meio e experimentou do comunismo e do capitalismo ao mesmo tempo. Tamb√©m dizem que √© por causa do n√ļmero de estrangeiros. Gente do mundo todo est√° em Berlim, principalmente nos √ļltimos anos com a vinda de refugiados. Em Berlim existe uma diversidade diferente. As pessoas n√£o est√£o nem a√≠ se voc√™ tem o cabelo colorido, quem voc√™ beija e at√© se voc√™ est√° pelado. Elas s√£o elas mesmas.

A hist√≥ria da Alemanha est√° estampada em todos os cantos de Berlim. Os alem√£es fazem quest√£o de n√£o esconder seu passado. Existem in√ļmeros museus, peda√ßos do antigo muro de Berlim e muitas outras coisas, como pe√ßas comunistas da √©poca onde a cidade ainda era dividida. Nas ruas √© poss√≠vel ver alguns quadradinhos dourados em frente a algumas casas. Esses quadradinhos s√£o as pedras de trope√ßo, o que simboliza cada judeu que foi assassinado na √©poca da Alemanha nazista. Cada pedra tem o nome da pessoa e onde ela foi morta. Essas pedras foram colocadas na frente das antigas casas dessas pessoas. Existem mais de 60 mil pedras dessa espalhadas por Berlim.

Essa foto aqui é de um prédio que está na minha rua.

Aprender com a história é muito bom mas que eu mais gosto aqui são as crianças e os cachorros. Sério.

Tem muitas crian√ßas por aqui e elas s√£o criadas de maneira interessante. As crian√ßas aqui s√£o crian√ßas mesmo. Elas se vestem como crian√ßa. Nada de roupinha de adulto em crian√ßa; as roupinhas s√£o coloridas e meio sem no√ß√£o - super fofinhas. Ao mesmo tempo, a maioria delas s√£o super comportadas. De maneira geral, as crian√ßas alem√£s n√£o d√£o esc√Ęndalos em p√ļblico. S√£o bastante obedientes ao passo que tamb√©m experimentam uma responsabilidade e liberdade grande. √Č muito comum ver crian√ßas andando de bicicleta a certa dist√Ęncia dos seus pais. Voc√™ n√£o v√™ os pais gritando feito loucos. Eles s√≥ observam. Ao chegar em um cruzamento ou faixa de pedestres, elas param e esperam os pais para atravessar. Algumas crian√ßas v√£o para a escola sozinhas de bicicleta - tipo, com 7 ou 8 anos. Eu fico chocada e ao mesmo tempo maravilhada toda vez que eu vejo algo assim. Aqui pais e m√£es cuidam das crian√ßas de maneira igual. N√£o tem isso de ficar passando pano pro pai que est√° simplesmente fazendo a obriga√ß√£o dele.

Os cachorros s√£o demais, s√©rio. Os donos precisam pagar impostos e adestra-los tamb√©m. Existe uma multa para caso um cachorro ataque algu√©m ou algo assim. √Č bem comum chegar no mercado e ver um cachorrinho parado do lado de fora, sozinho, esperando seu dono. Eles comumente s√£o vistos andando por a√≠ sem coleira, seguindo seus donos de boas. Sem latir.

A Alemanha √© um pa√≠s muito rico e, apesar de frequentemente ter manifesta√ß√Ķes contra temas que pareciam ter sido vencidos como as pautas da extrema-direita, tem discuss√Ķes e metas muito interessantes. Uma dos temas amplamente discutidos atualmente √© o uso da energia. Existem v√°rias iniciativas do governo para o uso de energia sustent√°vel. Os impostos pagos aqui s√£o altos mas existe um retorno em seguran√ßa, educa√ß√£o e assist√™ncia para os menos favorecidos. Pra mim a Alemanha √© o exemplo vivo de que √© poss√≠vel ser um pa√≠s que olha para as minorias e ao mesmo tempo consegue ter uma economia forte.

Além dos cachorros e das crianças, o que eu amo em Berlim é a diversidade de coisas pra fazer. Todo dia eu fico surpresa com a quantidade de coisas diferentes e os tipos de eventos. Um dia fui numa roda de choro (onde tinham alemães tocando) no subsolo de uma livraria. Outro dia em um stand-up comedy onde os comediantes eram uma libanesa e um francês.

A cidade n√£o p√°ra. Todo m√™s tem um rol√™ de bicicleta ativista onde centenas de pessoas est√£o pedalando e protestando contra morte de ciclistas. Durante o ver√£o, todo domingo tem um karaok√™ aberto no meio de um parque, onde qualquer pessoa pode ir l√° e mandar o seu Evid√™ncias numa boa. No mesmo parque, do lado do karok√™, uma feira enorme de antiguidades e uma mini fazenda com p√īneis e bodes - no meio da cidade. Sem falar nas baladas. Berliners amam m√ļsica eletr√īnica. √Č poss√≠vel ir numa festa segunda 11 horas da manh√£. Loucura. Os bares em Berlim s√£o √ļnicos e ao mesmo tempo iguais: todos escuros e iluminados com velas, com cadeiras e mesas diferentes (parecendo que o dono saiu pegando uma de cada vizinho), gar√ßons mal humorados, adesivos ativistas no banheiro.

O dia a dia

O Mateus sempre fala que mudar de país é que nem nascer de novo. Eu não poderia concordar mais. No início nós passávamos 2 ou 3 horas no mercado fácil. Igual dois idiotas tentando achar coisas básicas tipo saco de lixo. Usando o Google Tradutor pra não comprar o produto errado (o que não impediu que isso acontecesse de fato). Vou falar pra vocês: é frustrante. Meus amigos, o 7x1 é sem fim por aqui. Até hoje ainda rola um ou outro mas com bem menos frequência.

A limpeza é uma das coisas que costuma a chocar brasileiros que chegam na Alemanha. Em Berlim, pelo menos, os pisos dos apartamentos são daquele estilo madeira e não tem ralo nem no banheiro. A fama dos europeus de não serem tão limpinhos quanto os tupiniquins não é de hoje. No apartamento temporário que ficamos pudemos ver um pouco disso. O banheiro tinha tanta poeira acumulada que já tinha uma camada grossa nas paredes e canos. Na hora entregar o apartamento resolvemos fazer uma faxina daquelas. Fiquei responsável pelo banheiro e, como uma boa brasileira, resolvi meter água no banheiro inteiro e lavar tudo. O detalhe é que: não tinha ralo. Ou seja, me fodi. Ah, falando em banheiro, é bastante comum que os chuveiros fiquem dentro da banheira. #saudadesBox

√Č bem comum ter m√°quina de lavar pratos e roupas em todos os apartamentos e, ao mesmo tempo, n√£o ter √°rea de servi√ßo. As roupas s√£o estendidas para secar dentro de casa mesmo. Aqui se voc√™ compra um m√≥vel voc√™ mesmo monta (amo). √Č um luxo enorme pagar diarista por ser bastante caro. Ent√£o cada um faz a sua pr√≥pria limpeza. Quer ficar chocado mesmo? Para limpar os m√≥veis e o ch√£o tem uns paninhos tipo len√ßo umedecido. Voc√™ passa no ch√£o e depois joga fora (n√£o, n√£o fica a mesma coisa). :)

Tem umas coisas que são bem pequenas também mas que fazem um pouco de diferença. Os travesseiros aqui são muito esquisitos quando comparados ao nosso. Ao eles são quadrados (todos os lados iguais) ou são retangulares e estreitos, ambos bem finos. Geralmente os brasileiros que moram aqui trazem travesseiros e abridores de lata do Brasil. hahaha

Além disso, ao comprar qualquer computador na Alemanha as chances de vir com o teclado alemão são gigantes. O teclado alemão é diferente do internacional - o do Brasil as letras estão no mesmo lugar do teclado internacional, por exemplo. Ou seja, tem que aprender a usar o teclado deles se não houver jeito.

E o inglês?

Ahhh o inglês.

Olha, vou ser bem sincera com vocês. O inglês quando eu cheguei aqui era ruim mesmo. Eu conseguia me comunicar e passar uma ideia mas ainda cometia muitos erros básicos. Pra entender um pouco: eu nunca fiz um curso de inglês regular e as escolas onde eu estudei tinham aulas de inglês como qualquer outra no Brasil - repetindo o verbo to be todo ano. Eu fiz uns cursos isolados aqui e ali mas nada com duração maior que um ano. E, pra ser honesta, eu não priorizava isso como eu deveria.

Entretanto, passar uma ideia foi o suficiente para fazer entrevistas durante um m√™s e receber duas propostas de emprego. Nada mal. O problema de n√£o falar fluentemente uma l√≠ngua √© que comumente as pessoas confundem isso com burrice. Ent√£o acho que eu poderia ter ido ainda melhor nos processos. Eu n√£o culpo as empresas que acharam minha comunica√ß√£o ruim, na verdade. Parte do trabalho como desenvolvedora √© discutir ideias, entender o usu√°rio, fazer revis√Ķes de c√≥digo. Tudo isso requer o m√≠nimo para ter-se um bom desempenho.

Antes de vir pra Berlim eu estava trabalhando remoto para uma empresa em New York. No meu time a maioria dos desenvolvedores eram brasileiros também, então eu acabava me comunicando muito pouco e quando me comunicava era um desastre - eu ficava muito nervosa. Bem, estando em Berlim e com um dos objetivos de melhorar o inglês, agora com um emprego onde eu estava ao vivo com as pessoas, isso precisaria mudar. Fiz aulas particulares e fiz o feijão com o arroz: só se aprende a falar falando.

Hoje ainda acho que n√£o est√° booom mas j√° est√° bem melhor do que antes. Talvez se eu estivesse morando em um pa√≠s onde ingl√™s √© a l√≠ngua oficial seria melhor. Embora Berlim seja bastante internacional muitos alem√£es n√£o gostam de falar em ingl√™s. Os mais velhos aprenderam russo (!) na escola. Al√©m disso, vivendo em um pa√≠s diferente acho que o m√≠nimo √© aprender o b√°sico da l√≠ngua. Isso tamb√©m faz parte do aprendizado sobre a cultura e da integra√ß√£o social como todo. Falando nisso…

E o alem√£o?

Ahhh o alem√£o.

Bem, agora posso dizer que falo quatro línguas, todas elas muito mal. hahaha

As pessoas t√™m opini√Ķes diferentes sobre aprender ou n√£o alem√£o morando na Alemanha e isso pode ter influ√™ncia de diferentes fatores. Um deles √© a cidade. Os meus amigos que moram em Hamburgo j√° estavam mandando super bem no alem√£o com apenas um ano na Alemanha. Qual a diferen√ßa? Em Berlim, a partir do momento em que a pessoa percebe que voc√™ √© estrangeiro (julgando pela sua apar√™ncia ou sotaque) ela vai falar com voc√™ em ingl√™s. Nas outras cidades, as pessoas v√£o interagir com voc√™ em alem√£o mesmo at√© voc√™ pedir arrego e mandar um Englisch bitte? (em ingl√™s, por favor?).

Durante esse um ano aqui eu fiz um curso b√°sico de Alem√£o, o que me ensinou algumas palavras importantes e tamb√©m alguns aspectos que eu n√£o sabia da cultura. Por exemplo: aprendi que n√£o se estende a m√£o para pessoas mais velhas ou acima de voc√™ em uma hierarquia. Voc√™ espera elas estenderem a m√£o pra voc√™ apertar. Caso contr√°rio, voc√™ n√£o faz nada. Parece uma besteira n√£o √©? Pois, quando aprendi isso entendi o clim√£o que me meti um outro dia no trabalho. Depois do Brasil ter derrotado a Alemanha por 2x0 aqui em Berlim, encontrei o CEO da empresa e ele comentou sobre a partida. Pra brincar, eu estendi minha m√£o num sinal de “a partida foi boa, vida que segue” e ficou um clim√£o danado. Ele hesitou mas apertou a minha m√£o. Ele n√£o √© coroa e nem nada mas certamente mais velho que eu e bem acima na hierarquia. E se tem uma coisa que alem√£o gosta √© hierarquia…

Muitos estrangeiros que moram em Berlim acham que √© o suficiente falar em ingl√™s. Posso dizer que √© poss√≠vel se virar bem s√≥ com o ingl√™s entretanto em muitas situa√ß√Ķes n√£o vai rolar n√£o ter o m√≠nimo de alem√£o. Por exemplo: reparti√ß√Ķes p√ļblicas e m√©dicos. Muitos m√©dicos falam em ingl√™s mas recepcionistas e enfermeiros(as) n√£o. E a√≠ √© que o 7x1 come√ßa. Uma vez precisei fazer sess√Ķes de fisioterapia. Cheguei na recep√ß√£o pra marcar os hor√°rios e, caralho, passamos um bom tempo pra definir as datas - mesmo eu sabendo os dias da semana e os n√ļmeros em alem√£o. Treta.

No momento estou me dedicando ao inglês mesmo mas planejo voltar pro Deutsche no ano que vem.

Custo de Vida / Sal√°rio

Custos dependem sempre do estilo de vida da pessoa e eu sou desenvolvedora, o que me dá o privilégio de ganhar mais do que a média. Dito isso, um rascunho dos meus gastos básicos:

Item Gasto médio
Aluguel ‚ā¨1500
Internet ‚ā¨20
Academia ‚ā¨30
Celular (5GB de internet) ‚ā¨20
Energia el√©trica ‚ā¨60
Feira do m√™s ‚ā¨200


Outras informa√ß√Ķes que talvez possam ser √ļteis:

Item Barato Médio Caro
Almo√ßo < ‚ā¨5 Entre ‚ā¨5 e ‚ā¨10 > ‚ā¨10
Cerveja no mercado < ‚ā¨1 (muito ruim) Entre ‚ā¨1 e ‚ā¨2 > ‚ā¨2
Cerveja no restaurante < ‚ā¨3 Entre ‚ā¨3 e ‚ā¨5 > ‚ā¨5 (artesanais, por exemplo)
Cinema < ‚ā¨5 Entre ‚ā¨5 e ‚ā¨8 > ‚ā¨9
Burg√£o < ‚ā¨5 (podr√£o) Entre ‚ā¨5 e ‚ā¨7 > ‚ā¨7
Curso de Alem√£o ‚ā¨20 (online) ‚ā¨110 (mensal) ‚ā¨500 (dois meses)
Transporte (mensal) - ‚ā¨60 -
Aula particular de Ingl√™s ‚ā¨15 (online) ‚ā¨30 > ‚ā¨40


Tem coisas mais baratas que as que eu listei nos custos básicos e eu só não tenho elas por ingenuidade. Aqui na Alemanha boa parte das coisas são feitas por contrato. Ou seja: você quer começar uma academia? Beleza. Assine um contrato de no mínimo um ano. E pra piorar a coisa, ainda tem uma época do ano (de acordo com o contrato) em que você pode cancelá-lo. Se não, só ano que vem. E os contratos são em alemão. Só sucesso. Aff.

Importante: os impostos na Alemanha são altíssimos, afinal qualidade exige recursos. Hoje pago de impostos 35% do meu salário. Isso mesmo, trinta e cinco por cento.

Além dos impostos em cima do salário tem outras taxas pagas a parte como o imposto de TV, rádio e internet (obrigatório se você tem internet em casa ou uma televisão), imposto de religião (se você tem qualquer religião você paga esse imposto) e imposto de cachorro (mas gatos não pagam impostos hahaha).

Se quiser ver o pre√ßo de produtos em geral (m√≥veis, roupas, eletr√īnicos e at√© comida) √© s√≥ acessar amazon.de.

Comida

Eu prefiro a comida do Brasil. Próxima pergunta?

Foto de uma carne de porco tradicionalmente alem√£

Falando sério, eu prefiro a comida do Brasil mesmo. :) Aqui não tem self-service como conhecemos e a base da alimentação é carne de porco. Sucos naturais são muito raros de encontrar nos restaurantes e as frutas as vezes tem gosto de nada, especialmente as que são comuns em países tropicais como o Brasil. A vantagem de Berlim é ter muitos restaurantes de comidas de vários lugares, com destaque pra comida Asiática. Os restaurantes vietnamitas estão em todos os lugares. Eu não acho que ninguém deve levar minha opinião sobre comida em consideração, eu sou meio chata mesmo. O Mateus, que come até pedra com sal, ama e não tem o que reclamar.

Existem alguns food-truck que vendem comida brasileira. √Č poss√≠vel achar tapioca, coxinha, pastel e at√© caldos. Alguns lugares tamb√©m vendem algumas comidas do Brasil como goiabada, floc√£o e pa√ßoquinha, tudo bem acima do pre√ßo do Brasil. Para os botequeiros de plant√£o, m√°s not√≠cias: geralmente os bares n√£o tem por√ß√Ķes. Na verdade, √© bem comum n√£o ter nem comida.

Fazendo amigos

Fazer amigos aqui é um tópico interessante. Pra ilustrar, gostaria de contar brevemente sobre uma amiga brasileira. Ela mora na Europa há alguns anos e nos mudamos pra Berlim quase na mesma semana. Nos conhecemos aqui - nossos esposos são colegas de trabalho. Alguns meses depois de montado o apartamento dela, ela resolveu fazer uma festa de inauguração - um open warming (open house é quando é aberto pra qualquer pessoa, conhecida ou não - aprendi isso tem pouco tempo hehe). Pra festa, ela convidou todos os vizinhos do prédio. Foi de porta em porta se apresentar e falar que iria fazer uma festinha, que seria legal se eles fossem. No fim, só 1 vizinho apareceu. Mas hoje ela tem uma ótima relação com eles e conhece praticamente todos.

Eu não sou tão aberta quanto ela, infelizmente, eu acho. Só conheço os meus vizinhos de uns tímidos Hallo (oi) nos corredores. Nenhum deles nunca veio tomar um vinho na minha casa, por exemplo. Eu não fiz festa de inauguração também. No trabalho, também não tenho vínculos de amizade (amizade mesmo) com ninguém. No meu aniversário eu recebi 1 abraço apenas - e foi por acaso - eu pensei que a pessoa ia me abraçar e tal e foi aquele climão. No início, acho que algumas pessoas do trabalho tentaram uma aproximação mas eu estava tão insegura com o meu inglês que acaba me atrapalhando nas palavras, no entendimento das coisas e sem dar muita abertura pra as pessoas. Infelizmente acontece.

Hoje isso melhorou bastante. Berlim √© uma cidade muito internacional. Tenho amigos da Austr√°lia, Israel, It√°lia, Irlanda, Arm√™nia, Peru e do Brasil, claro. :) Entretanto, como reza a lenda, √© dif√≠cil fazer amigos alem√£es. Acho que ningu√©m fica querendo amizade com ningu√©m por causa da nacionalidade, claro. Mas vale lembrar que eles tem um modo de pensar diferente. Vou dar um exemplo disso. Eu estava fazendo algumas sess√Ķes de fisioterapia e a fisioterapeuta √© alem√£. Em todas as sess√Ķes a gente ficava jogando conversa fora. Em uma dessas conversas, ela perguntou como foi o meu final de semana e eu comentei que meus colegas do curso de alem√£o foram almo√ßar na minha casa e que foi super legal. Quando eu comentei que os meus colegas de curso tinham ido almo√ßar na minha casa, ela ficou perplexa. Me perguntou o porqu√™ eles foram almo√ßar l√° - como se fosse a coisa mais absurda do mundo. hahaha Expliquei pra ela que o curso terminou e n√≥s est√°vamos comemorando e que no Brasil √© normal receber pessoas n√£o t√£o pr√≥ximas em casa.

Aqui as pessoas convidam para os eventos com bastante antecedência (tipo duas semanas), um contraponto na espontaneidade huebr.

Indo ao médico

Os alem√£es t√™m uma rela√ß√£o diferente com m√©dicos e rem√©dios. Caso voc√™ n√£o se sinta bem voc√™ pode ficar em casa sem apresentar atestado m√©dico por at√© tr√™s dias (e isso √© aceito tranquilamente no trabalho). Indo ao m√©dico, especialmente se for a primeira vez, ela/ele vai pedir para voc√™ ir pra casa descansar e tomar um ch√°. Os m√©dicos no estilo cl√≠nico-geral tendem a “esperar o corpo curar” antes de passar algum medicamento.

Nesse um ano j√° fui em v√°rios tipos diferentes de m√©dico (ser√° que eu sou hipoc√īndrica?). O nutricionista me chamou bastante aten√ß√£o. Eu fui l√° esperando fazer uma dieta e tal. Ele s√≥ fez uns exames (os mesmos do Brasil) e n√£o me passou a fucking dieta, mesmo eu implorando. Acho que n√£o √© uma coisa que eles fazem por aqui.

Aqui em casa sempre brincamos dizendo que o √°pice de ser imigrante em um pa√≠s √© passar por uma cirurgia, por um processo judicial e pela delegacia. Eu s√≥ tive (e espero continuar tendo apenas) experi√™ncia com a cirurgia. Foi bem tranquilo e algumas coisas chamaram a aten√ß√£o. Por exemplo, a comida do hospital √© uma comida normal. O hospital √© gigante mas sem um nutricionista l√°. Ou seja, tome salsicha e salame nas refei√ß√Ķes. hahaha No hospital n√£o tinha uma recep√ß√£o como no Brasil - dessas que pedimos autoriza√ß√£o pra entrar ou informa√ß√Ķes. Nessa brincadeira acabei parando na ala cir√ļrgica por engano, at√© uma enfermeira me enxotar de l√° com seu olhar fuzilante… Aqui tive tamb√©m que agendar uma consulta com a anestesista, em um processo separado - o que normalmente √© organizado pelo m√©dico no Brasil.

Se eu achei melhor ou pior? Nenhum dos dois. Eu tenho plano de sa√ļde aqui e tinha no Brasil tamb√©m. Ent√£o n√£o notei grandes diferen√ßas. Sobre a sa√ļde p√ļblica eu n√£o saberia informar mas sei que aqui ningu√©m se endivida ou fica sem atendimento como nos EUA.

Xenofobia

Infelizmente existe. Com os avan√ßos da extrema-direita, respons√°vel pela pauta anti-migrat√≥ria no pa√≠s, isso fica ainda mais evidente. Eu tenho um colega de trabalho eg√≠picio que n√£o vai em certas √°reas de Berlim por medo de ataques. Um colega croata outro dia foi provocado na rua; chutaram a bicicleta dele e perguntaram pra ele se n√£o haviam empregos na Cro√°cia. Um casal de amigos israelenses foram assediados moralmente por serem judeus - perguntaram o que eles estavam fazendo na Alemanha, al√©m de outras provoca√ß√Ķes.

Comigo diretamente, aconteceram coisas “menores”. A mais recente e expl√≠cita foi: eu estava andando na rua com o meu esposo e um amigo nosso, conversando em portugu√™s, e um cara na rua come√ßou a mexer com a gente. Come√ßaram a imitar a gente conversando, em tom de provoca√ß√£o. N√£o demos muita moral e continuamos andando. Sinceramente? Eu morro de medo disso acontecer quando eu estiver sozinha e eu ter que ir na delegacia por algum motivo. Eu n√£o falo alem√£o, n√£o sou alem√£. Quem vai ser por mim? Eu n√£o sei.

As pessoas nunca sabem dizer de onde eu sou. Acho que me acham parecida com algu√©m do Oriente M√©dio ou da √ćndia. Se meu cabelo fosse longo, √≠am me classificar em algum desses dois pa√≠ses. Isso tamb√©m n√£o importa. Eu n√£o sou branca de cabelo amarelo, logo sou classificada rapidamente como estrangeira.

Em Agosto e há alguns dias atrás houve uma manifestação de grupos com pautas anti-migração e frequentemente ligados a neonazistas. Nos grupos de Brasileiros em Berlim no Facebook, recebemos pedidos de cuidado. Evitar certas áreas ou ficar em casa por medo de ataques é realmente triste.

“√Č sobre o que voc√™ ganha e o que voc√™ perde tamb√©m”

Esse text√£o est√° chegando ao fim. Ufa.

Meu afilhado nasceu dia 28 de Dezembro de 2017. Eu tinha apenas dois meses vivendo em Berlim. Estava frio, escuro, solitário. Eu só queria estar lá mas não pude. Tinha que escolher: compra uma cama e um sofá ou ir pro Brasil ver ele nascer e dormir no chão durante o inverno? No dia em que ele nasceu eu chorei bastante e me perguntei o porquê que eu estava fazendo isso.

Dias como esses vão e vem. Meu afilhadinho agora está engatinhando e ficando em pé. Provavelmente ele vai andar antes de eu chegar no Brasil pro Natal e essa é só uma das mil coisas que eu estou perdendo. Sem falar o medo terrificante que dá em perder alguém próximo, afinal já são 5 anos que eu estou vivendo longe de casa. Eu choro de saudades. Eu sinto vontades de comer coisas que só tem no Brasil do nada. Eu fico aqui pensando sobre voltar. E isso é só meu. Não significa que outros brasileiros se sentem assim também (acho que boa parte não, por motivos que todos já sabemos).

Mas isso √© a vida. Se eu n√£o viesse, iria ficar me perguntando como seria. Bem, essa d√ļvida eu j√° n√£o tenho mais. Uma amiga minha sempre fala que vir morar fora do Brasil √© se sentir ainda mais brasileiro. As coisas que estavam ali o tempo todo de repente fazem uma falta danada.

O Henrique Bastos falou essa frase do subt√≠tulo √Č sobre o que voc√™ ganha e o que voc√™ perde tamb√©m. Essa √© a defini√ß√£o perfeita do que √© morar fora do Brasil. N√£o d√° pra preencher a saudade com ciclovias maravilhosas ou com ingl√™s aperfei√ßoado. Voc√™ pode migrar pra Marte mas o Brasil sempre vai ser o seu pa√≠s. Brasileiro vai ser sempre a sua nacionalidade.

Outras fontes

Eu n√£o sou a primeira e nem serei a √ļltima a escrever sobre a experi√™ncia de viver na Alemanha. Se voc√™ est√° considerando emigrar √© importante escutar diferentes pontos de vista. Aqui algumas sugest√Ķes:

Em breve o meu textão sobre entrevistas e emprego na Alemanha. Espero que vocês tenham gostado desse aqui.

Tsch√ľss!


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